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Brasil à Luz do Eneagrama

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Análise da Realidade do Brasil... à luz do Eneagrama

 

Em 2016, fizemos algumas Vivências nos símbolos do Eneagrama, sobre a Cultura Brasileira. Foram experiências muito reveladoras. A situação atual grita por uma reflexão mais profunda, que vá além da polarização superficial e rasa que se acentua no cenário do Brasil, como um chamado à reflexão e à interiorização, em busca do equilíbrio e de novos horizontes.

O Eneagrama pode ser um grande instrumento de transformação social, pela via da Consciência. Por isso, vamos repetir essa Vivência, onde for oportuno e possível. Acredito que é uma contribuição oportuna que podemos dar neste momento histórico tão sensível e delicado, mas também tão cheio de possibilidades de transformação.

Partimos da reflexão, já feita, que identifica a Cultura do Brasil como energia predominante do Tipo Sete do Eneagrama, com Asa Oito forte e Asa Seis muito raquítica, Subtipo Sexual e Instinto Autopreservação Reprimido.

 

7.Personalidade:

Sou um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza!

O país de todas as raças onde não há racismo e todos convivem numa boa. O país onde tudo termina em pizza, entre o Carnaval e o Futebol... até os 7 a 1 para a Alemanha, porque ainda somos os melhores do mundo! Aqui não tem tempo ruim e o povo é feliz. Todo mundo se diverte e até o pobre da favela é feliz.

Deixa a crise pra lá. Curte a vida. Tudo passa e no final tudo vai dar certo. Vamos dar a volta por cima. Somos um país maravilhoso! Somos os melhores! Tem outros países com problemas muito piores. Tudo acaba em Pizza. Para que mexer no que tá quieto?! Vamos pensar nas coisas boas que temos, nas belezas naturais e na alegria do nosso povo, na criatividade e na festa. Deixe a sujeira debaixo do tapete. Aproveite a vida. Siga a Lei da vantagem. Os outros que se lasquem. Eu quero é  tirar vantagem. O Jeitinho Brasileiro é o meu DNA. A Lei da Vantagem é fogo nos olhos. O interesse próprio é champanhe nas veias. Eu quero é curtir a vida adoidado.  O meu interesse em primeiro lugar... e não abro mão do prazer. Afinal a vida são dois dias... e o Carnaval dura uma semana! Aproveite. Sempre tem jeito para tudo. Somos o país do quebra galho, da gambiarra e do puxadinho, do “enrolation”. Criatividade é com a gente mesmo! Não dê chance para a tristeza e o pessimismo! Temos ideias maravilhosas, projetos fantásticos e iniciativas espetaculares.  O que importa é inventar e experimentar. Quando começar a não dar certo, a gente deixa pra lá. O que importa é a experiência e viver o aqui e agora.  Ganhar ou perder é um detalhe... o que importa é jogar bonito! Sofrimento?! – tou fora! A gente se acha... mas a gente merece! Somos o máximo! Os pessimistas que me perdoem... mas em matéria de humildade, o Brasil é o máximo! Cada um por si. Responsabilidades? – Terceirizo! E quando a coisa fica ruim... caio fora! Quem tem problemas... que resolva! Não estou nem aí!  Dizem que não sou um país sério... mas eu faço é achar graça!

           
8.Asa:

Eu sou Brasil e não desisto nunca e um filho meu não foge à luta!

Se é pra ir pra luta eu vou! Bota pra quebrar. Justiça! Luta. Vingança.  Olho por olho, dente por dente. Quem errou tem que pagar! Justiça.  Custe o que custar. Não ter medo de mexer na ferida.  A verdade acima de tudo, doa a quem doer. E a verdade aparece na briga.  Não fugir da luta, não camuflar, nem enrolar, não fazer de conta. Pé no chão. Encarar. Resolver... custe o que custar, doa a quem doer. Não enfeite! Caia na real. Trabalhe. Resolva os problemas, dê nome aos bois, desmascare a falsidade, combata a injustiça, denuncie a mentira e a falsidade, desmascare as falsas autoridades, lute contra a desigualdade. O poder vem do povo. Trabalho. Verdade. Justiça. Transparência. A lei é  igual para todos. Sem mutreta e sem esquemas, sem privilégios e sem falsidade.

Sou o Brasil da luta pela igualdade social, que defende os injustiçados e desmascara a falsidade e a hipocrisia das elites.

Eu também sou o Brasil da Violência, da justiça pelas próprias mãos, dos acima da lei, da força e do autoritarismo, do “sabe com quem está falando”?!... da truculência das polícias e do requinte de maldade dos bandidos. Eu sou o Brasil do “bandido bom é bandido morto”, dos que gritam pela redução da maioridade penal e pela pena de morte. Eu sou Brasil onde morre mais gente assinada e na violência do trânsito, do que em muitas guerras... Sou o Brasil da violência das torcidas de futebol e dos massacres entre as facções nos presídios ou entre as gangues do tráfico.


6.Asa: 

Eu sou o Brasil assustado e com medo, inseguro e sem autoconfiança. Eu sou o Brasil com autoestima baixa que não se valoriza e não acredita em si mesmo. Eu sou o Brasil que busca seguranças fora e acha que tudo o que vem de fora é melhor. Sou o Brasil acuado perante a violência, assustado e encurralado atrás das grades e dos muros altos com cercas elétricas e seguranças particulares... porque tem medo de andar na rua à vontade. Eu sou o Brasil inseguro, que procura segurança nas coisas mágicas, nos rituais e nos amuletos, nas falsas religiões que alienam mas dão a falsa sensação de proteção.

Me falta prudência e bom senso, cumprimento do dever e respeito pela Lei, confiança nas autoridades. Falta lealdade e fidelidade. Levar as coisas a sério e pensar nas consequências. Falta o espírito de colaboração, a consciência de corpo, o trabalho em equipe, a colaboração. Preciso aprender a parar mais, pensar mais, avaliar mais e planejar melhor e executar até ao fim. Preciso aprender a prever cenários, os negativos também.     Preciso ser mais prevenido, pensar nos riscos e ser realista, precavido e atento. Evitar riscos. Discernimento. Questionar mais. Ser mais cuidadoso. Preciso seguir mais o coração e menos a cabeça. Seguir a intuição.  E neste momento histórico... preciso aprender a confiar! Saber que não estou só... confiar e seguir a intuição!

 

                               

1.Ponto de Estresse:

Estou irritado! Não aguento mais! Cansei! Está tudo errado! E temos que consertar.  Passar o Brasil A limpo. Botar todo mundo na cadeia.  Todos estão errados e eu sei o que é  o certo. Cansei de bagunça! Cansei de faz de conta! Cansei de fachada. Não aguento mais. Não aguento a corrupção, a falta de respeito, a falta de responsabilidade. As coisas começam e não terminam. Enrolação atrás de enrolação. Eu quero os meus direitos. A gente paga imposto e não tem benefícios. Nada funciona. Educação, saúde, segurança... nada funciona.

Eu sou o Brasil da Polarização.  O Brasil que reclama. O Brasil Ranzinza e rabugento. Eu sou o Brasil da crítica e da briga, onde cada um é juiz de futebol e juiz de direito, policial e dono da razão. Eu sou o Brasil com Raiva, querendo lavar roupa suja. Eu sou o Brasil da denúncia e da crítica, dos donos da razão e dos moralistas, dos falsos moralistas hipócritas. Eu sou o Brasil Cri Cri e perfeccionista, onde cada um quer corrigir o outro. Eu sou o Brasil onde cada um quer dar lições sobre o certo e errado, o bom e o mau. Onde todos querem corrigir os outros e consertar as coisas com raiva. Sou o Brasil onde todos julgam todos, onde a justiça é aristocrática e hipócrita, onde cada um se acha moralmente superior e professor de tudo e de todos. Eu sou o Brasil das explosões de raiva, que reclama por causa do mosquito e engole o camelo, que critica os corruptos e tira vantagem, que reclama da falta de educação e briga no trânsito, que critica as vantagens dos políticos e fura fila, faz gambiarra e enrola. Eu sou o Brasil hipócrita e moralista, onde cada um critica nos outros o que ele mesmo faz e acusa os outros sem enxergar a trave no seu olho. Eu sou o Brasil que briga para ter razão, que acha que está certo e quer corrigir os outros. Sou o Brasil onde em nome do ter razão as famílias brigam e os amigos deixam de se falar, excluem do Facebook ou saem dos ambientes e dos grupos. Eu sou o Brasil estressado, quebrado ao meio, onde metade condena a outra metade e é criticado por ela. Eu sou o Brasil que pede soluções duras, rígidas e legalistas. O Brasil que pede a volta da linha dura, da ditadura, do militarismo e da força, dos falsos moralistas. Eu sou o Brasil tenso, irritado, rígido, inflexível, de cara feia e com os nervos à flor da pele... eu sou o Brasil que não se aguenta a si mesmo. Eu sou o Brasil que não aguenta se olhar no espelho.

 

5.Ponto de Segurança:

Ei... Brasil... olha pra mim! Escuta, Brasil!

Pare! Distancie.  Saia desse clima emocional de ânimos exaltados e nervos à flor da pele. Afaste do olho do furacão. Um pouco mais de neutralidade, Brasil. Observe. Pense. Analise. Descubra as causas de tudo isso. Perceba o que está por trás  disso tudo. De onde vem. Onde começou. Vá lá nas causas primeiras. Onde tudo começou. Estude, Brasil. Estude história. Aprofunde as suas raízes!  Não enfeite. Analise friamente. Sem envolvimento emocional. Sem tomar partido passional.  Seja objetivo. Frio. Aprofunde. Medite. Medite Brasil... tá na hora de um grande mutirão de meditação!

Sistematize.  Reorganize. Profundidade e consistência.  Pense. Seja isento. Respeite a lei. Não perca o controle. Não se contente com respostas rasas e soluções superficiais.

 

Sabe Brasil... você nunca aprofundou as verdades e as mentiras da sua história, nunca valorizou a Educação e a pesquisa, o saber e o planejamento. Você sempre fez as coisas nas coxas...

Está na hora de parar. Ganhar distância para observar a realidade, analisar, entender... e encontrar soluções sérias, profundas, embasadas, consistentes. Está na hora de uma reflexão profunda.

Ei, Brasil... daqui deste lugar, escute um profundo chamado a uma profunda reflexão. Daqui, a partir de um ponto neutro, saindo da polarização e do dualismo superficial... pare e pense, Brasil. Acalme os ânimos e esfrie a cabeça! Medite! Para buscar respostas novas e soluções profundas! Tá na hora, Brasil! Não fuja! Vá fundo! Mergulhe!


4.Essência:

Eu sou a Essência do Brasil, belo e bonito por natureza. O verde das matas e a correnteza dos rios, a diversidade dos pássaros e as praias paradisíacas. Os Povos Primeiros, a cultura indígena, a Terra Sem Males. Liberdade e beleza, harmonia. O gosto pela arte, a comunhão com a Origem, a abundância da Terra e a fartura gratuita. As riquezas naturais, o suficiente para todos e a resposta para tudo. A vida em comunhão.  A poesia e a arte. A música de tantos ritmos.  A capacidade de curtir o presente. Viver a Vida em abundância. O sonho. O idealismo. A fruição.  A equanimidade, a alma satisfeita, plena, saciada e em paz. O estilo próprio e o jeito único.  Os dons únicos.  A criatividade a capacidade de inovação.  A capacidade de fazer diferente e de fazer bem feito e fazer com beleza e bom gosto. A abundância do amor e a generosidade e a solidariedade. A sensibilidade espiritual. A abundância. A riqueza cultural, a diversidade, o movimento e a dança, a luz e a cor...

 

4.Criança Ferida:

Eu sou o Brasil Criança Ferida.

Eu sou a criança que andava livre pelas matas e tomava banho nos rios e cachoeiras e dançava à volta das fogueiras e tinha vida e vida em abundância e era livre e se lambuzava de beleza...

Mas invadiram minha casa. Mataram e exploraram, me enganaram, tiraram a minha dignidade e me humilharam. Massacraram o meu povo, num genocídio imenso. Abriram minhas ceias e roubaram minhas riquezas. Tentaram escravizar o povo e trouxeram um povo como escravo e o maltrataram e oprimiram e mataram.

Foi um estupro. Cortaram as minhas raízes. Me impuseram outras culturas e outros hábitos. Fui desconectado do Paraíso. Me senti abandonado. A vida acabou aí. A vontade de viver acabou e se extinguiu a alegria. Senti a morte. E na angústia de morte me senti só e abandonado à minha sorte, incapaz de fazer alguma coisa ou chegando à conclusão que não adianta fazer nada, pois por mais que eu faça não vale a pena.

Senti medo. Muito medo, pavor de morte. Sem capacidade de reagir. Eu era muito pequeno e frágil. Não tinha defesas. A ameaça foi terrível. Morte. Massacres. Escravatura. Exploração.

Eu não dei conta de suportar tanta dor. Fiquei sufocado na dor.

E o jeito foi tentar fugir do sofrimento e dessa dor, da angústia de morte, da agonia.

E fui aprendendo a fugir... fugi para o mundo da imaginação, do faz de conta, do prazer e do bem-estar. Aprendi a olhar o lado bom da vida e das coisas e a evitar tudo o que me lembrava sofrimento. Esqueci o sofrimento e a angústia que vivi. Sempre tentei apagar essas coisas da memória. Inventei estórias bonitas e engraçadas para esconder a minha História de sofrimento. Acreditei que era tudo bom e bonito e prazeroso e alegre.

Esqueci e não quis encarar a desigualdade e as injustiças, a mentira e falsidade. Aprendi a não encarar os problemas e a enrolar e enfeitar, racionalizar e fazer discursos bonitos para esconder a dor. Eu achava que não aguentava sofrer. Porque eu quase morri naqueles sofrimentos da minha infância.

Eu fugi... mas essa dor e essa angústia de morte sempre me perseguiu. E eu sempre fugi. E sempre fui bom na fuga. Mas não aguento mais! Tem hora que não dá para fugir mais. A barragem de lama tóxica das mineradoras estourou em Mariana... e espalhou a morte por milhares de Quilômetros...  e eu vi aí o símbolo da lama que guardei, da dor que escondi, da angústia e sofrimento que tentei  ignorar...

A barragem rebentou e a sujeira se espalhou pelo país inteiro... a corrupção e a mentira, a injustiça, a exploração, a desigualdade, a violência... não dá mais para esconder!

E eu estou aqui... morrendo de medo, na angústia de morte, na agonia... incapaz e paralisado, sem saber o que fazer... sentindo-me abandonado.

Eu sou um país com onze milhões de pessoas com depressão... o sofrimento grita... e a gente tenta esconder... mas não tem jeito.

Você nunca cuidou de mim... me abandonou, me largou, me esqueceu. Não cuidou das minhas feridas. Nunca fez justiça aos índios e aos negros. Sempre enganou, enrolou... enfeitou! Mas nunca encarou de verdade para resolver.

Eu não aguento tanto sofrimento... tem hora que eu sinto que não dou conta...

E tem hora que dá vontade de fugir... de fugir de novo para a fantasia e buscar prazer e procurar o bom da vida...

Mas sinto que não dá mais... não dá mais para fugir...


Eu sinto a tensão... como num cabo de guerra. Vontade fugir... e ao mesmo tempo esse buraco negro que parece sem saída, me puxando. Vontade de enfrentar... e vontade de deixar pra lá. Vontade de dar um jeito para ficar tudo bem... e a sensação que não adianta mais fugir e enrolar e enfeitar a situação ou botar panos quentes ou inventar desculpas esfarrapadas.

 

1.Ponto da Consciência:

 Ei Brasil... preste atenção! A partir daqui, deste Ponto da Consciência, eu consigo enxergar com mais clareza e integrar o todo.

Faça o que tem que ser feito, Brasil. Você não precisa fugir. Você pode encarar o sofrimento. Você dá conta. Já deu em outras vezes e quando enfrentou, cresceu!

Resolva. Organize. Concretize.  Priorize.  Limpe.

Vamos resolver. Vamos fazer o que tem que ser feito.  Determinação.  Ética.  Valores. Planejar e executar.  Foco na ação.  Praticidade. Vamos deixar de conversa e de papo furado e vamos botar a mão na massa. Não somos a ilha da fantasia e não vivemos no país das maravilhas. Vamos trabalhar.  Clareza.  Perceber o que está errado e corrigir. Regras claras.  Seriedade e trabalho. Compromisso.  Cumprimento do dever.
Pés no chão. Responsabilidade. Honestidade.  Ser correto. Fazer o que tem que ser feito.  Transparência. O  certo é  certo é o errado é  errado.

E faça tudo isso com serenidade! Sem raiva, com prazer e com leveza. Relaxe!

.......................

Vamos encontrar o equilíbrio, o tempero, a sobriedade. O prazer do dever cumprido. O prazer de resolver e superar os problemas. O prazer de curar as feridas. O prazer de limpar o passado. O Prazer da reconciliação com o passado, com as sombras. Abraçar as nossas sombras, para encontrarmos a luz que tanto buscamos. O prazer de nos libertarmos dos fantasmas do passado, da sujeira e dos sofrimentos negados.

Fugir do sofrimento e viver de fantasia... deu nisso, né Brasil?!

Tá na hora de levar as coisas à sério! E a gente também sabe fazer isso!

Não vamos fugir mais. Vamos enfrentar, somos capazes. Vamos nos livrar disso, de uma vez por todas e sentiremos o alívio e o prazer, o gosto da liberdade.

Assumir é preciso. Cada um assumir a sua parte. Cada um assumir a sua responsabilidade. Somos todos responsáveis. Cada um assumindo a sua parte. Cada um fazendo o que tem que ser feito. Cuidado com o bem comum. É hora de crescer como povo! Nós somos capazes! E somos capazes de fazer bem feito! Nós somos capazes de perceber o que está errado e de melhorar!

E nós somos criativos... ah, nisso nós somos muito bons!

Somos todos Brasil.


INSTINTO  SEXUAL DOMINANTE:

Ei, Brasil... eu atrapalhei você com o meu exagero.

Só pensei no prazer a todo o custo, no imediato, no momento.  Fui oportunista e me deixei cegar  e fascinar pelo prazer. O prazer egoísta. De só pensar em mim e os outros que se lasquem. O fascínio pelas fantasias e pelas novidades. A sugestionabilidade. O momento. O encantamento. A ilusão. Alice no país das maravilhas.  O achar-se o melhor... a última Coca-cola gelada da festa com gelo e limão.  A mania de sugar, de explorar, de tirar vantagem sempre, o fascínio pela vantagem, o querer e fazer tudo o que quero e dá prazer.

Eu sei que este meu instinto ainda atrapalhou mais a sua gula... e deixou você fascinado, com a cabeça na lua, fora da realidade, vivendo num mundo de fantasia. Uma Gula celestial, um ideal elevado e colorido onde tudo é maravilhoso e onde tudo é o melhor do mundo. Idealizamos a realidade e embelezamos aquilo que incomoda. Fizemos do Brasil um imenso parque de diversões onde sempre estão acontecendo coisas maravilhosas e interessantes. Um otimismo cego de quem está apaixonado. Criamos uma cultura entusiástica, onde nada é ruim e os defeitos são envernizados e vistos através de uma lente colorida. Vendemos a nossa imagem como um charlatão bom de papo... e acreditamos nas nossas ilusões.

Eu sei que preciso tirar o pé do acelerador... metade basta!


INSTINTO AUTOPRESERVAÇÃO:

Ei... Brasil... olhe eu aqui. Você esqueceu de mim... Cuide de mim. Você me esqueceu... mas você precisa de mim! Não cuidou das questões básicas. Saúde e educação. Infraestrutura, casa e trabalho, segurança. Saneamento básico e outras infraestruturas. Alimentação digna. Trabalho. Igualdade. Condições de vida digna para todos.

Precisamos cuidar do Autopreservação, Brasil! Precisamos cuidar da vida, que está sucateada e desvalorizada. Mata-se por qualquer coisa e não se cuida da vida. A vida é descartável e sempre colocada em risco. Precisamos deixar de ser ‘eterna criança’...

Precisamos de regras claras e definidas. Organização e disciplina. Perseverança. Economizar. Planejar. Pensar no Futuro.  Gerenciar os recursos com responsabilidade.  Perseverança.  Organização.  Disciplina... prever riscos. Fazer as coisas bem feitas.  Não fazer gambiarra. Fazer bem feito e fazer até ao fim. Fazer as coisas com qualidade.

 
INSTINTO SOCIAL:

Ei Brasil... Você sabe que eu ajudo! Quando faz falta você sabe que pode contar comigo. Somos todos Um. Consciência de povo. Quando você usa essa força, você sabe o quanto ajuda a superar momentos difíceis. É  hora de unir. Trabalhar juntos. Espírito de corpo. Cada um assumindo a sua parte e a sua responsabilidade. Unir-se em torno de um ideal comum, do bem comum. Costurar a união. Diplomacia. Bem comum. Diálogo. Consciência do todo. Somos todos um. Unidos venceremos. Colocar o bem comum acima dos interesses individuais. Abrir mão dos interesses individuais. Sacrificar-se pelo bem maior da nação. Um abraço coletivo. O mesmo objetivo.  É hora do sacrifício, do espírito de mártir, por um bem maior, por um projeto prazeroso para todos, pois não basta eu ser feliz sozinho... é preciso que todos sejam felizes juntos! É preciso reacender o entusiasmo e a capacidade de sacrificar-se por um projeto comum, de felicidade maior, de um futuro melhor para todos!

 

Domingos Cunha