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ENEAGRAMA DO UNIVERSO - A VOLTA AO UNO

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Eneagrama do Universo

ENEAGRAMA DO UNIVERSO - A VOLTA AO UNO

 

No princípio era o Uno.

Tudo o que existia, existia nele e por ele e pelo Uno tudo foi feito.

No Uno, nós existíamos e nos movíamos.

E saímos do Uno, ainda Essência.

Mas depois veio a onda do esquecimento,

Por causa do barulho das carências da infância.

Sem mais saber o que éramos e de onde tínhamos vindo,

Projetamos identidades

Para fugirmos do medo de estarmos sós e não sermos nada.

E depois acreditamos numa dessas projeções

E nos apegamos a ela e nela nos sentimos aceitos.

Ficamos presos a ela e com ela adormecemos

E quando acordamos, o espelho nos mostrou a máscara

e aceitamos.

E quando depois mais tarde

percebemos que o que somos é nada

Sentimos o desejo profundo de buscar quem somos de verdade...

E assim começou a nossa jornada, consciente, de volta ao Uno.

 

Quanto mais eu vou ao encontro de mim, mais eu descubro dentro de mim, um Outro que não sou eu, mas que, no entanto, é o fundamento do meu existir - dizia Tomás de Aquino.

Quando dizemos que o Eneagrama é um mapa PsicoEspiritual, vemos esta tradição como um itinerário da Personalidade para a Essência, no território que somos nós. A Personalidade mapeia as nossas periferias. A Essência mora no território interior, aquela Praça onde Deus nos habita. Dentro da Personalidade mora a Essência. Foi para proteger a Essência que a Personalidade, como predisposição recebida gratuitamente no presente da nossa Existência, em algum momento da nossa jornada individual começou a se estruturar. E cresceu mais forte ou mais flexível, quase sempre até ofuscando a Luz Divina da Essência. Protegeu e escondeu, mas não destruiu, porque o Divino é eterno. Proteger e deixar transparecer, expressar, manifestar... eram essas as atribuições da Personalidade, mas ela se empolgou com os mimos que na infância recebeu, e ganhou espaço além de suas funções, até tomar conta do pedaço e querer reinar absoluta.

Mas Deus continua morando no Humano, de forma silenciosa, misteriosa e amorosa. Não estamos sós, embora durante muito tempo assim acabamos sentindo. Deus está dentro. A Essência é o Original e a Personalidade é a cópia. Nascemos originais e morremos cópias - dizia Jung. Triste jornada a nossa, se assim for verdade. Mas queremos e podemos fazer diferente, e essa é certamente a nossa missão maior. Descobrir que a cópia é o que não somos e perceber além da casca a Essência que somos. Chamamos a isso o caminho da Consciencia que, além de ver isso, se constitui como aquele outro espaço, dentro de nós, a partir de onde nos tornamos observadores de nós mesmos e podemos, como maestros de nós, reger esse dueto bailado entre a Essência e a Personalidade.

 

A História nos traz a correnteza desse rio chamado Eneagrama, que em Alexandria juntou água de várias nascentes e que ao longo dos séculos foi engrossando seu caudal ao passar por várias culturas e tradições religiosas. Aí recebemos dois símbolos. Um deles formado por três triângulos perfeitos. Aquele outro, que contém um triângulo e a hexade.  Nos dois temos o círculo da perfeição, representando a Lei do Um ou do Uno.  Dizemos que o primeiro é o mapa da Essência, o equilíbrio Trino entre Essência, Personalidade e Consciência. A Lei do Um e do Três em sua plena expressão. No segundo, enxergamos o Mapa da Personalidade, que nos permite o itinerário para equilibrar as nossas emoções. Os dois mapas são importantes, necessários e irredutíveis, porque somos uma Essência e estamos numa Personalidade. Precisamos cuidar daquilo que é bom, naquilo que não está bem, como lembra Leloup, pois é a partir do saudável e imaculado em nós, que a parte doente pode ser transformada.

Se hoje sabemos que não dá para viver nos horizontes mesquinhos da gaiola, mesmo que dourada, da Personalidade... seria insano também querer descartar o que a Personalidade nos ensinou como habilidades de sobrevivência. Precisamos Dela. Dela cuidamos, para que seja aquilo que foi predestinada a ser: proteção e meio de transporte e comunicação da Essência.

 

Colocamos o símbolo da Essência dentro do símbolo da Personalidade e formamos o Eneagrama do Universo. - a volta ao Uno, o símbolo do Eneagrama Integral, dinâmico e pleno, o mapa de onde viemos, quem somos e para onde vamos.

O símbolo da Essência está dentro do símbolo da Personalidade, porque ele vem primeiro, nossa origem e o que somos chamados a ser, voltando ao Uno. É ele a pedra angular, sustém a Personalidade e lhe dá sentido. É o Shalom hebraico, que na sua raiz significa a última pedra que se coloca numa construção e assim indica que ela está inteira, acabada, plena.

O símbolo da Personalidade está por fora, porque é a função Dela proteger a Essência e manifestá-la no mundo e ao mundo. A Personalidade representa a desconexão com a Essência, mas também é o caminho de volta para ela, assim como a lagarta é o caminho para a borboleta, no falar de Leloup. A Personalidade, que já habitava a nossa Existência como predisposição e, semente, foi ativada em alguns momentos da infância, em alguma situação de carência de totalidade ou ameaça da contingência e da finitude humana. Mas acabou escondendo a Essência e até impedindo o acesso a ela. O Humano, separado de Deus e da Natureza, desconectado da fonte original, mergulhou nas trevas, pela ruptura da queda que o desligou da Luz, porque era Luz desde o início. Mas Deus permanece presente no Humano, escondido na Personalidade ou por ela, dentro ela.

A Personalidade é a periferia de nós, o para fora. A Essência é a Praça é a Praça Interior, o palácio do Rei. Quando arrastamos a vida tentando sobreviver na Personalidade, ignoramos a presença da Essência em nós. Dizia Rumi que a ignorância é a prisão de Deus e o conhecimento é o palácio de Deus.

Tereza de Ávila usou a metáfora das moradas do castelo para falar da jornada rumo ao interior onde Deus nos habita e Agostinho, o Santo de Hipona, reclamava com a sensação de antes tarde do que nunca: Tu estavas dentro e eu fora de mim. Eu te procurei fora de mim e fiquei sem Ti e sem mim. E tu estavas dentro, Beleza infinita, Verdade sem fim.

Esse espaço interno, no centro do símbolo da Personalidade, onde implantamos o símbolo da Essência, no interior do nosso interior, é assim como se fosse a Praça Maior no coração das cidades espanholas. Aí as pessoas se encontram, os pombos voam e as crianças brincam... com a música e a dança, a festa, os encontros, o lazer e o prazer, a fruição da vida, a arte e a fantasia, a alegria de ser e viver...e as manifestações que sonham e engravidam mudanças.

Seria assim, este símbolo integrado, integral e integrador, um itinerário mais completo do que somos na nossa dimensão holística. Da Essência, a vida da infância, nos levou para os domínios da Personalidade, como loucura que inventamos para sobreviver, no falar de Naranjo. Viemos do Uno, da Totalidade, da Unidade Plena. Caímos no fragmento, separado e, sentindo-nos quebrados e esquecidos da nossa verdade é da natureza da nossa natureza, acreditamos no que inventamos de ser e a isso nos apegamos e isso acreditamos ser. Fernando Pessoa falou bonito acerca disso quando disse: fiz de mim o que não soube e o que podia fazer de mim, não o fiz. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara. Urge agora fazer o caminho de volta, de volta ao Uno, tornar-se Um novamente... e esse caminho começa quando iniciamos a jornada da Consciência, descobrindo, no primeiro passo, o que não somos.

Os Templários, místicos guerreiros buscadores dos lugares sagrados, cedo perceberam que o lugar mais santo a ser protegido, estava dentro. Por isso cunharam no seu selo de soldados de Cristo a figura de dois cavaleiros montando um cavalo. O cavalo representa a Personalidade, como meio de transporte e de luta com o mundo. Um cavaleiro expressa a Essência e o outro a Consciência. No símbolo da Personalidade, a Essência também está presente, representada no Triângulo Cental - o Uno Trino, que pertence no coração do Humano, porque somos sua imagem e somos como um espelho onde Deus pode ser contemplado. É o triângulo do Uno e Trino que sustém a Personalidade e lhe permite subsistir. Mas a Hexade se sobrepõe à Essência, no turbilhão da montanha russa de emoções onde a nossa Personalidade nos lança desenfreadamente, em espirais ascendentes ou mais provavelmente descendentes.  No símbolo da Personalidade, o Triângulo Central - que representa a Essência, não tem pontos de conexão com a Hexade da Lei do Sete... porque o Humano está desconectado do Divino, embora o Divino permaneça lá, sempre.

No símbolo da Essência, temos a integração plena, o equilíbrio e a harmonia, onde tudo e todos estão conectados, os três centros de energia fluindo interligados e perpassando tudo. Os três Triângulos - Deus Trino, a Natureza e a Humanidade, como que espelhos girando livres dentro de um grande globo do Uno e espelhando uns nos outros os seus reflexos, porque somos todos Um, com tudo e com todos e com o grande Outro que é Deus. No símbolo da Essência, em cada Triângulo, para cada Ponto, temos o vértice da Personalidade, o da Essência e também o da Consciência. Aqui a integração é possível, a partir desse espaço de observação, neutro e livre, de discernimento e de indiferença inaciana. A partir desse Ponto de Consciência ou lugar interno de Meditação, podemos dar vez e dar voz para a Essência ou para a Personalidade, conforme a situação assim o pedir e, mais ainda, podemos somar forças, integrando a beleza e a pureza divina da Essência, com as habilidades que a Personalidade nos ensinou, como mecanismos de sobrevivência neste mundo de limite onde nos sentimos seres faltantes e carentes.  

Quando juntamos os dois símbolos no Símbolo do Eneagrama do Universo, poderíamos imaginar uma figura dinâmica, tendo pés no Ponto Quatro e no Ponto Cinco da Personalidade, caminhando por aí, levando a Essência para passear pelo mundo e nele se manifestar e a ele comunicar a sua mensagem divina, pois foi para isso que ela aqui veio. A Personalidade nos dá pés para caminhar por este chão rachado pela seca da ausência da Essência... mas é a Essência que nos dá asas para o infinito e Luz. Pés com asas, lamparina com Luz, porque luz não é sobre brilhar, é sobre iluminar.

O Humano quis controlar, aprisionar, segurar, fazer refém e assumir o lugar e o papel da Personalidade. Essa é a crônica da Queda das Origens nos relatos das tradições religiosas. O Humano quis ser Deus, quis tomar o seu lugar.   A parte do universo quis ser o centro do universo, o fragmento quis ser absoluto e fazer carreira solo. Mas o universo não cabe na parte, emboras Stein presente nela, mãos pode ser apaixonado por ela. A Personalidade não deu conta de ser Deus e quebrou. E o ser humano quebrou a partir de dentro. E ficou uma rachadura, a cicatriz da ruptura, da desconexão, da perda da identidade, do orgulho de querer ser Deus por conta própria.  E assim o Humano ficou rachado e assim ficou a abertura para a luz de Deus aparecer. Se Rumi dizia que a cicatriz é o lugar por onde entra a luz, podemos talvez agora dizer que, na verdade, a cicatriz é o lugar por onde a Luz Divina passa, para sair e se manifestar, transbordar e se comunicar.

O ser humano cabe no Universo e nele tem seu lugar. Mas o Universo não cabe no ser humano. O ser humano cabe em Deus, mas não consegue segurar Deus para si mesmo nem controlá-Lo, porque Deus é o Todo e a sua Luz é mais intensa e abrasa e rebenta como o calor do fogo racha o pote de barro.  Porque é de Deus o fluir, porque Deus é movimento, Amor dinâmico em expansão.

Sede... sede da fonte, do Sopro Divino do Deus Criador. A Fonte tem sede de quem tem sede. Éramos pó, somos Sopro de Amor.

 

A palavra Universo, no Latim Universum, significa o mundo, literalmente tudo o que existe, tudo junto. Unum significa Um, Uno, o que é inteiro, Totalidade. Versus, significa voltar a ser, tornar-se. Universo significa, pois, voltar a ser Um, tudo em Um só, tudo combinado em Um, tudo girando como Um ou tudo girando através de Um.  A etimologia grega aponta para algo transportado em um círculo - que nos remete de forma belíssima à metáfora de Athanasius Kiercker, do grande Globo com os três triângulos-espelho dentro.

É daí, dessa natureza, que nós viemos e é para aí que somos chamados a voltar. Saímos do Uno e caímos no microcosmo da Personalidade.  No Latim, o contrário de Universo é Subverso. E subverso nos remete ao lugar não material onde não há existência. O universo paralelo, à parte. Buraco negro, onde não existe o Ser. Bela, ou tétrica talvez, metáfora da Personalidade. O espaço onde não há existência, o buraco negro, onde não se existe.

O Uno é Deus. Aquele que o Evangelho de João chama de Verbo. Verbum, palavra, na sua etimologia indica ação, que era algo, a ação criadora de Deus. No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe. Nele estava a vida é a vida era a Luz dos homens. E a Luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram dominá-la (Jo. 11, 1-6).

As trevas da Personalidade não conseguiram dominar o Verbo, a Luz, Deus, a Essência.

A palavra microcosmo significa na sua origem, o mundo em miniatura, o universo em miniatura, isto é, o Ser Humano. O Ser Humano quis ser o Universo. Mas o Universo não cabe no microcosmo. Microcosmo é o Universo do ponto de vista subjetivo, por oposição ao microcosmo: ao Universo do ponto de vista coletivo e objetivo.

Neste novo símbolo que une os dois símbolos, encontramos o Universo e o Microcosmo, o universal e o particular, o todo e o fragmento. O microcosmo faz parte do universo e o Universo está presente e se manifesta no microcosmo. A Personalidade faz parte da existência Humana, e a Essência, que é a natureza do Humano, se manifesta na Personalidade.

Que todos sejam Um, como eu e o Pai somos Um - rezava Jesus na sua oração universal. Porque a volta ao Uno, tornar a ser Universo, é o caminho a percorrer na condição humana: tornar-se Um.

Na tradição do Instituto Eneagrama Shalom, cultivamos progressivamente esta visão do Eneagrama Integral, da Essência, da Personalidade e da Consciência. É marca registrada do nosso jeito de olhar o Eneagrama e o Ser Humano. Um olhar de holos, do Todo, a visão integral, da plenitude, do Homem Crístico, que a própria palavra Shalom carrega da sua raiz e nos inspira.

 

A Essência habita na sombra da Personalidade. Mas as trevas não conseguem dominar a Luz. A luz irrompe no meio das trevas. Como dizia Isaías, o profeta, o povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Um menino nos foi dado. O seu nome é Príncipe da Paz. A Criança Divina, a Imago Dei, nasce dentro do Humano. A natureza inteira geme em dores de parto, como dizia o Apóstolo Paulo, porque a Essência, o Amor, Deus... está nascendo o tempo todo, como dinamismo que irrompe nas sombras.

E quando a Luz vibrante rompe a barreira da casca que a Personalidade é, abre um caminho.

O símbolo da Personalidade manifesta a rachadura, a ruptura, entre o Ponto Quatro e o Ponto Cinco, justamente a separação entre a cabeça e o coração, a Energia Emocional e a Energia Racional, o Sentir e o Pensar, a emoção e o entender. No símbolo da Personalidade esse fosso é o verdadeiro buraco negro, o que deixa a existência fraturada. A harmonia perdida, a saudade do paraíso ou o fechamento a ele.

Mas dentro do símbolo da Personalidade tem o Símbolo da Essência... e podemos agora olhar esse canion como um portal de saída de Luz. É o caminho que existe entre o coração e a cabeça, por onde Deus pode fluir à Consciência, como rio unindo as duas margens. Porque Deus está dentro e a Essência não cabe na Personalidade. A Personalidade rachada deixa emergir a Essência, assim se quebra a casca do ovo quando o passarinho nasce. De dentro para fora, porque é a vida que irrompe. Quando quebra de fora para dentro, a casca mata a vida.

E assim podemos andar por aí, um pé na emoção e outro na razão, transportando a Essência, como potes de argila ambulantes, levando um tesouro. A fragilidade humana manifestando e transbordando a riqueza Divina.

Ninguém separe o que Deus uniu... assim diz a Escritura Sagrada, porque esse casamento é o primeiro - Deus e a Humanidade.  A Teologia da Encarnação é isso. O Divino se manifestou no Humano, para que os Humanos se percebessem Divinos em sua Natureza. Não há sagrado e profano, não há Humano sem Deus e Deus está no Humano e é aí que se pode encontrar, porque Ele deixa. A sua presença é silenciosa gentil, mas ela se aproveita das cicatrizes e por elas faz fluir a sua Luz.

A Personalidade não pode ser carro blindado. Melhor ser carro aberto e sem vidraça.

A casca da semente e a casca do ovo, a casca da árvore, que deixa a seiva correr e a protege, para que a árvore cresça, de baixo para cima de dentro para fora, lentamente, como as grandes árvores que crescem silenciosamente.

Somos Humanos carregando Deus, como a lamparina levando a vela ou como a garrafa contendo a água e facilitando o beber.

Onde era o buraco negro, a noite escura onde o mundo acaba - depois que quebrou a harmonia do paraíso, corre agora o rio da Vida, unindo coração e cabeça. Por esse rio flui o caudal de águas abundantes e saudáveis da Essência. A Personalidade só, é oca e vazia, mas quando a Essência é enfim reencontrada, do interior jorra a Fonte que transborda. Dizia Isaías: esquecei as coisas antigas. Não estais vendo o novo que Deus está fazendo?! Eis que brota um rio no deserto e gera vida em suas margens.

Este símbolo do Eneagrama do Universo nos ensina o itinerário de volta ao Uno. Entramos neste território que somos, pelo buraco negro, pela noite escura. A Essência brota de dentro de nós como rio de Luz.

O caminho é para dentro e a viagem é pelas sombras.

Somos sacrário aberto - o primeiro, onde mora Deus. Relicários ou custódias ambulantes. O vidro que deixa a luz sair, aquele mesmo vidro, antes sujo, que ofuscava a Luz.

Somos Anjos. Centelhas Divinas, Mensageiros de Deus, a caminho para Deus.

A Fonte tem sede de quem tem sede - como dizia Rumi. A estrela que guia os reis magos é essa Luz que da Essência nos chega como fragrância Divina que atrai.

E se alguém, algum dia, perguntar quem somos, diremos assim tão somente: somos humanos transportando o Divino. Somos Deus passeando no Humano, ou passeando de Humano, por entre humanos outras criaturas.

quem diga que o tambor faz barulho, mas por dentro é vazio. Mas podemos talvez agora dizer, que o seu interior é a caixa de ressonância do Sopro que nele vibra. Não somos espaço desabitado. Aquele que nos habita e sempre está, faz vibrar e de dentro para fora gera vida.

Cada um vê o invisível em proporção à claridade do seu coração - dizia ainda Rumi.

Vale a pena, como dizia Fernando Pessoa: tudo vale a pena, se Alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu.

Tomás Kempis lembrava que o autoconhecimento humilde é um caminho mais certo para Deus do que a busca por conhecimento profundo e João Calvino também acreditava que sem o conhecimento do eu, não há conhecimento de Deus.

O homem superior - dizia Confúcio, busca em si mesmo o que quer, enquanto o homem inferior busca nos demais.

 

Domingos Cunha     Domingos Cunha